domingo, 4 de novembro de 2007

'Civilizando' a Amazônia do Equador: Corporativismo Colonial


RJ-2007 - by Crau


'Não fosse pela companhia [Skanska], eles ainda estariam vivendo de bananas e não conhecer nada além da floresta – exato como são os macacos. A despeito de tudo, esta ainda é uma república de bananas subdesenvolvida'.]

As extensas e ambientalmente destrutivas operações da construtora sueca Skanska na América Latina são pouco conhecidas na Europa. Longe da companhia amigável à natureza que ela alega ser, o discurso cosmético sobre o desenvolvimento e progresso que permeia a companhia de capital 100% sueco é racista e colonialista na prática.

Por mais ou menos mais de um ano e meio, a base da Skanska está localizada fora da cidade do petróleo de Coca na destroçada província de floresta úmida tropical de Orellana. As atividades da companhia, conduzidas em cooperação com as companhias petrolíferas em vários campos na região são controlados daqui. Um dos gerentes regionais da Skanska na bacia amazônica é Milton Diaz, um homem com muitas décadas de experiência na indústria do petróleo. Ele trabalhava para a Skanska em sua terra natal, Argentina, onde a sede continental da empresa se localiza.

De uma série de encontros e entrevistas com Diaz e seus colegas realizada no Equador, (a partir da primavera de 2006) pela cientista política Hanna Dahlström e eu, montamos um quadro coeso dos líderes da Skanska. As opiniões expressas por Diaz representam um racismo cultural, no qual a população do Equador no geral e em particular os povos indígenas são descritos em termos bastantes pejorativos. 'O povo aqui da floresta deveria ser grato ao invés de apenas reclamar e fazer exigências absurdas”, ele argumenta. 'Não fosse pela companhia, eles ainda estariam vivendo de bananas e não conhecer nada além da floresta – exato como são os macacos. A despeito de tudo, esta ainda é uma república de bananas subdesenvolvida'.

Infelizmente, as opiniões de Diaz não são incomuns. O discurso racista ao qual dá voz está alinhado com as perspectivas convencionais de companhias do hemisfério norte sobre a cultura e desenvolvimento do Sul global. Conceitos como 'estúpidos', 'república das bananas' e 'baixa cultura' são levados a simbolizar os Outros, que são locais e assim-chamados subdesenvolvidos. 'Tudo o que as pessoas pensam por aqui é ficar de papo pro ar e procurando prazeres. Ninguém assume responsabilidade por nada… Eles não percebem que as companhias deram tudo a eles. Estradas, pontes – tudo o que vemos à nossa volta', diz Milton Diaz, abrindo seus braços largamente para mostrar uma vasta área industrial onde um dia ficou a floresta úmida tropical.

O mito corporativo do desenvolvimento sustentável

De acordo com a Skanska, seu objetivo é promover 'desenvolvimento sustentável' praticando as alternativas mais amigáveis à natureza possíveis. Contudo, essas visões são obviamente e inteiramente dependentes de regulamentação externa. Victor Vazquez é o gerente ambiental da Skanska na mesma região em que Diaz trabalha. Vazquez alega que a Skanska queima gases tóxicos (produtos de escória) ao ar livre, mesmo sendo esse um procedimento extremamente poluidor. A explicação de Vazquez para esse comportamento é que o Estado equatoriano não tem os recursos para operacionalizar leis ambientais pertinentes a tamanha falta de consideração ambiental. 'O Equador não é ainda desenvolvido assim, e não há incentivo para investimentos em tecnologia melhor. Em outros países, como a Argentina, naturalmente, usamos as melhores tecnologias disponíveis', diz.

De acordo com petroleiros do Bloco 18, onde a companhia sueca trabalha com a gigante brasileira do petróleo, Petrobras, a queima de gás no campo é tão extensiva que não há nada vivo à vista. Isto, se nada mais, confirma que a tecnologia amigável à natureza e o desenvolvimento sustentável com os quais a Skanska quer ser associada não são nada além de propaganda.

Um outro argentino em posição de gerência na Skanska na região amazônica é Oswaldo Contreras. Ele também, francamente admite que a extração de petróleo sempre tem um número de lados negativos sujos. 'Perfuração de petróleo nunca tem como ser amigável à natureza. Mas é uma dessas coisas com as quais se tem de viver', ele diz, dando de ombros.

Diferente da população local, que é forçada a conviver com a poluição, Contreras não tem que se preocupar com encontrar petróleo em sua água de beber. Nem tem ele de se preocupar com o alto risco de desenvolver qualquer dos oito tipos de câncer relacionados ao petróleo ou vários outros problemas de saúde associados com as emissões da indústria do petróleo na região amazônica. E exatamente como Milton Diaz, Contreras argumenta em termos de benefícios que a população recebe pela presença da indústria. 'Skanska', ele se vangloria, 'construiu uma estrada para a população local em Campo Bermejo na fronteira colombiana. Esse é o tipo de coisa que chamamos de compensação…'

Extorsão e mentiras

De acordo com o inspetor ambiental Marcos Baños, chefe da autoridade ambiental em Coca e na província de Orellana, Skanska comporta-se de maneira suspeita e mostra grande desrespeito na região. Baños diz que representantes da companhia têm visitado a autoridade para se oferecer para executar 'projetos'. 'Eu considerei isso extorsão', explica o inspetor ambiental. Baños relata mais à frente que a Skanska é uma das companhias mais escorregadias que ele tem que lidar em seu trabalho. E é difícil duvidar do que ele diz, já que a informação que ele tem sobre a Skanska inegavelmente complementa a figura de uma companhia que tenta falsificar para driblar as leis e regulamentos a qualquer preço. Ele não está sozinho ao retratar a Skanska na região amazônica.
Raul Vega, no escritório ambiental provincial em Coca, acrescenta mais escândalos às histórias nebulosas sobre a Skanska. Ele também está bastante desapontado com o modo de operação da Skanska no Equador – mostrando nenhuma consideração pelas pessoas ou leis ambientais e completa falta de respeito pelas agências governamentais e povos indígenas. 'Oswaldo Contreras foi a primeira pessoa da Skanska que contatamos', Vega explica, 'e ele se recusou a dar a informação que requeremos. Se apenas eles tivessem nos mostrado que tinham feito estudos ambientais, teríamos dado a permissão… Mas não foi até uma ocasião no futuro que a Skanska submeteu qualquer informação a nós. E a informação mesmo acabou provando ser falsa. A companhia alegou que tinha realizado estudos ambientais, o que foi uma completa mentira'.

Quando o Business criou a Terra

De acordo com os gerentes regionais da Skanska, é graças à companhia que os povos indígenas finalmente têm a sua oportunidade de se civilizarem. Esta visão não é exclusiva de líderes corporativos em países em desenvolvimento, mas compartilhada por ideólogos neoliberais na Europa – como Johan Norberg, cuja atitude para com culturas não-industrializadas é igualmente crassa e preconceituosa. O livro de Norberg, När Människan Skapade Världen ('Quando O Homem Criou O Mundo', Timbro: 2006) expressa uma assustadora falta de entendimento para culturas não-industrializadas cujos países estão ocupados por companhias ocidentais como Skanska e gigantes inescrupulosos do petróleo. De acordo com Norberg, a globalização, o livre mercado e a produção industrial são uma receita universal para o bem-estar social e a felicidade. Porque, no mundo de Norberg a história humana tem sido consistentemente 'uma história de miséria sem fundo' – uma perspectiva que não só é ignorante, como também leva a um etnocentrismo letal quando adotado por grandes companhias para justificar seu comportamento de rapina no hemisfério sul. 'No início, todos éramos países em desenvolvimento', argumenta Norberg, sem se preocupar com a dominação imperialística que regularmente destrói culturas aborígines que desesperadamente lutam pela sobrevivência, contra corporações multinacionais e governos corruptos.

Contudo, a atitude de Norberge da Skanska é tanto incorreta quanto racista. De acordo com os povos indígenas, sua cultura não é subdesenvolvida e suas vidas não eram miseráveis antes que as companhias lançassem sua 'Operação Civilização' na selva. Ao contrário, é o conceito de desenvolvimento ocidental que representa a morte e destruição na bacia amazônica.

Diferente de Johan Norberg, o qual a despeito de uma carreira bem-sucedida como escritor só consegue distorcer perspectivas, companhias como a Skanska infelizmente têm um poder físico junto a culturas que tenham o azar de ficar em seu caminho. E sob as relações desiguais entre populações, grandes companhias, sociedades civis e estados, especialmente no hemisfério sul, Skanska mostrou representar retrocesso cultural e ecológico ao invés da 'responsabilidade social' e 'desenvolvimento sustentável' que ela alega oferecer ao mundo.

Hoje, há uma importante luta pelo futuro e a resistência crucial contra a exploração do petróleo em ecossistemas sensíveis e em territórios indígenas. Redes que lutam contra a indústria devastadora na América Latina são a Oilwatch, a equatoriana Acción Ecologica e Frente de Defensa de la Amazonia (FDA). Survival International é uma outra organização com e pelos povos tribais em volta do mundo.

Por Agneta Enström

Blog de denúncia da Skanska: www.skamska.blogg.se
Oilwatch: www.oilwatch.org
Acción Ecologica: www.accionecologica.org
Frente de Defensa de la Amazonia: www.texacotoxico.com
Survival International: www.survival-internacional.org

Tradução: Matias Romero



agência de notícias anarquistas-ana

silêncio
o passeio das nuvens
e mais nenhum pio

Alonso Alvarez

sábado, 27 de outubro de 2007

CARTA DE RESPOSTA AOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO E À SOCIEDADE SOBRE OS TRÁGICOS FATOS OCORRIDOS EM 14/10/2007 E 21/10/2007


Foto> Santos, SP 2007 - by Crau

Diante dos terríveis acontecimentos ocorridos nos últimos meses envolvendo supostos punks nós, do Movimento Anarco-Punk, de São Paulo, vimos a necessidade de retratar, relatar e nos posicionar diante destes fatos. Estes últimos acontecimentos são fruto de uma gama de fatores sociais e políticos que acabam por se completar com o grande “show de horrores” divulgados pelas grandes corporações midiáticas. Nós, do Movimento Aarco-Punk de São Paulo, repudiamos estes atos, estas ações não são baseadas e não tem a mínima ligação com a cultura, política e filosofia de vida punks, para nós esta é uma deturpação de nossos princípios, que com o apoio e ampla divulgação dos tendenciosos meios de comunicação de massa vem minando os poucos focos de luta e resistência popular punk.

As idéias e ações punks sempre estiveram ligadas à mudança radical do sistema social no qual vivemos, desde nossas músicas, nossa estética, nossas manifestações, nossos rolês nas ruas das periferias, enfim, nossa forma de viver, interagir e enxergar o mundo. Estes ocorridos, são atos extremos e intolerantes que com ou sem motivos plausíveis, não se justificam, vidas não podem ter valores, não se agrega preços ou importância, são vidas! Logo, tendo em vista todos os esforços que, nós anarco-punks temos empenhado dentro de nossa longa história por reconhecimento da vida e para sentir em sua forma mais intensa a importância da vida e dos direitos dos seres vivos, não podemos ser coniventes com atitudes que apenas deturpam nossa militância e nossos ideais. Para nós o que vimos é um show de forças estrelado por pessoas alienadas pelo modo de vida capitalista que não percebem que apenas estão fazendo o jogo do sistema, ou seja, o povo colocado contra o povo e estão, assim, se digladiando e se acabando, enquanto uma minoria goza de todos os prazeres da vida em nossas costas. Estes não são atos de indivíduos punks, essas pessoas não tem a mínima percepção e/ou relação com o que é a cultura punk, não podem estar ligados a nós pois são atitudes totalmente opostas àquilo que buscamos, que é o respeito as diferenças, a tolerância, e um mundo igualitário entre os diferentes.

Nós, anarco-punks, não somos a favor e não propagamos a violência, sabemos que esta é uma armadilha do sistema para justificar sua existência e destruir o povo, por outro lado vivemos em meio a uma onda de violência extrema, em uma sociedade que promove o consumismo, a competição e a ganância. Fatos de violência extrema e radicalismos levianos são amplamente divulgados e insinuados pela mídia, isso pode ser um ponto que começa a esclarecer o porquê de atos como estes ocorrem; fatos como estes ocorridos com pessoas que são erroneamente taxadas de punks ocorrem todos os dias por toda periferia de São Paulo e viram mera estatística. Pessoas exterminam-se como em uma guerra e nada é feito pelos governantes parasitas e burocratas acomodados, por isso afirmamos que a luta punk é a favor do povo e contra o estado, a burguesia e os defensores deste e outros regimes totalitários: buscamos a liberdade e não a opressão!

Todos sabem que o movimento punk tem uma origem de luta e resistência contra o sistema, uma quebra de valores sociais e morais; é inegável a militância e reconhecimento de punks dentro de movimentos sociais não como baderneiros, mas como aliados dentro dos interesses revolucionários. Este fato pode ser comprovado junto ao movimento negro, movimento gay, movimentos de luta por moradia entre outros, logo, não podemos aceitar que estes acontecimentos radicais e extremos sejam levados como verdade absoluta com relação ao movimento punk, nossa história fala por ela mesma, nossa luta é contra o sistema e não contra o povo.

Não é de hoje que nós punks somos atacados e deturpados pela tendenciosa mídia corporativa, desde o início da década de 80 sentimos e resistimos a este problema. O que no início gerou uma grande queda no movimento, atualmente é utilizado como mera manchete, da forma mais barata e tendenciosa possível. A cooptação do punk pelo sistema tornou fatos terríveis como estes notícias de extremo valor para o grande círculo midiático corporativo, colocando pessoas como meras personagens secundárias, pois o importante é o sangue e a violência e não o que gerou estes atos. No entanto, quando explanamos isso, não falamos de algo superficial como esta mídia tem abordado estes casos, falamos de algo muito mais profundo, como em que condições diárias estão colocados trabalhadores e trabalhadoras, estudantes, senhores e senhoras; que fatos do cotidiano levaram a estes atos? Pois nada acontece de uma hora para outra... Em quais condições sociais sobrevivem? Talvez estas sejam perguntas para as quais muitos saibam as respostas, sabemos, porém, que dificilmente iremos escutá-las de boa fé.

Não defendemos e nunca apoiaremos estes atos de violência, mas o que questionamos é a forma mentirosa como eles são divulgados, colocando vítimas como mártires e agressores como carrascos da época do império romano, tudo para finalizar uma “boa” notícia que mais parece uma peça de teatro, mas com isso nós perguntamos: quantas vidas são necessárias para uma “boa” manchete? Fazemos também a mesma pergunta que foi feita a um dono de uma corporação transnacional, “quantos milhões são necessários para satisfazer seu ego”?

Enquanto pessoas morrem nas ruas das periferias e o sangue escorre para o asfalto desta grande metrópole que é São Paulo nós, punks, resistiremos a toda a deturpação e ataque deste sistema à nossa cultura de luta e resistência popular, fatos como os acontecidos são, para nós, de extremo repúdio e horror, fruto de pessoas mal informadas e vitimadas pelo parasitismo social que este sistema impõe aos indivíduos. Estamos sentidos pelas vítimas destes atos, pessoas pobres que assim como nós, lutam para sobreviver dentro deste sistema opressor e indignamo-nos com as pessoas que executaram estas ações de extrema intolerância e violência. Continuamos na luta por mudanças e pela revolução social e contra toda e qualquer forma de fascismo e intolerância, sejam estes institucionais ou individuais.



Sem mais e com sentimentos às vitimas,



MOVIMENTO ANARCO-PUNK de SÃO PAULO (M.A.P. - SP)

Cx. Postal 3297 CEP 01059-970 SP/SP

map.sp@anarcopunk.org - www.anarcopunk.org

domingo, 7 de outubro de 2007

Um toque para pessoas atrevidas da Baixada Santista...





Um toque para pessoas atrevidas da Baixada Santista... ...que não permanecem acomodadas diante de tanta agressão à diversidade da vida

Então, mais uma vez, empresários, autoridades portuárias, governo federal e estadual, prefeituras locais, políticos profissionais, mídia, universidades, sindicatos e eco-tecnocratas, arrogantes e insensíveis, bem vestidos e falantes, insossos e 'branquelos', regados com champanhe e caviar, se reunirão no majestoso Mendes Convention Center, em Santos, nos dias 8 e 9 de outubro, no Fórum Nacional para a Expansão do Porto de Santos, e em nome da chamada civilização, do desenvolvimento econômico, mercadológico e especulativo, do progresso, da modernização capitalista e do lucro, vão discutir e traçar os sinistros planos de expansão do Complexo Portuário da Baixada Santista, cujo caráter primordial é potencializar a lógica do grande capital, em detrimento e impactando a qualidade de vida e ambiental da Baixada Santista, atualmente já deveras mente comprometida e degradada.

Contra tudo isso e mais um pouco, 'meia-dúzia de gatos e gatas pingados', com gargantas, corpos e garras afiadas, vão estar se reunindo na segunda-feira, dia 8, em frente do Mendes Convention Center, para miar e gritar em alto e bom som: “Não à expansão do Porto de Santos!”, “Basta de destruição do meio ambiente!”, “Desenvolvimento é o escambau!”. Etc e tal.

Sendo assim, se você tem sensibilidades com essas 'coisas', sente a destruição da nossa Natureza, e está afim de aumentar o coro, reagir, agitar um pouco, romper o silêncio e o tédio, apareça lá na frente, nas imediações do Mendes Convention Center (Av. Francisco Glicério, 200 – Gonzaga), à partir das 13 horas. Vamos juntos desmascarar os poderosos, os porta-vozes de que está tudo bem na nossa região.

Outra coisinha, foda-se que sejamos poucos, o importante é estarmos convictos, comprometidos, determinados, ativos, o que não dá é para ficar em casa assistindo tevê, calados, com uma vidinha tediosa, mansa, de lamentações...

Há que voltar às ruas! Ali é nosso lugar, dos rebeldes, loucos, românticos, apaixonados... dos que fazem o mundo girar! Matemos o capitalismo, os destruidores da Natureza! É hora de luta!

Ah, passe a palavra entre seus pares...

A Natureza não se compra nem se explora! A Natureza se ama e se defende!

Livres e Selvagens!

El Pececito Chuva de Fogo, um autoconvocado

sábado, 29 de setembro de 2007





Abaixo os dez princípios que de acordo com Paul Watson, da Sea Shepherd Conservation Society, seriam necessários para mudar nosso estilo de vida.
O Sea Shepherd Conservation Society, ou 'piratas dos mares', é um grupo criado em 1977 por Paul Watson e Robert Hunter, dois canadenses que não se conformaram com a matança de focas em seu país. De lá para cá, já afundaram 11 navios baleeiros (que caçam baleias), entre outras ações diretas.

1. Não tragas mais seres humanos ao mundo. Somos bastantes.

2. Castre e esterilize todos os animais domésticos que seja possível. São bastantes.

3. Faça-te vegano e reduz seu consumo de recursos.

4. Atreve-te a pensar fora do estabelecido, por exemplo, fora do paradigma dominante criado pelos meios de comunicação de massa, a indústria e o governo.

5. Faça que sua vida valha para algo antes de morrer.

6. Viva sua vida de acordo com as leis da ecologia.

7. Rechace o antropocentrismo e adote uma perspectiva biocentrista.

8. Atreva-te a falar, a viver, a ser imune às opiniões da humanidade.

9. Ame esta vida. É a única que terás, então a aproveite enquanto podes.

10. Não te deixes pegar pelas forças do antropocentrismo.



agência de notícias anarquistas-ana

Pardal orfãozinho
vem brincar
comigo

Cláudio Fontalan

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Centenas de pessoas marcham contra as expulsões e os centros de retenção de imigrantes na Alemanha



Foto> Templo Budista Zu Lai, Cotia - SP. By Crau
No sábado, 15 de setembro, cerca de 400 pessoas foram às ruas da cidade alemã de Mannheim contra o centro de retenção de imigrantes e a xenofobia. A passeata partiu do centro da cidade e cruzou várias ruas periféricas até chegar na frente do centro de retenção do município para demonstrar solidariedade com os 'sem papéis' (imigrantes sem documentos). Durante o trajeto da manifestação foram distribuídos milhares de folhetos e pronunciadas falas denunciando as perseguições, encarceramentos e as expulsões de imigrantes. Dezenas de policiais acompanharam a marcha, mas sem incidentes graves.

Sem fronteiras! Nenhuma nação! Parem à deportação!

Mais infos, Grupo Anarquista de Mannheim: www.anarchie-mannheim.de.vu

Fotos da passeata: http://de.indymedia.org/2007/09/194402.shtml e http://de.indymedia.org/2007/09/194519.shtml




Agência de notícias anarquistas-ana

De pernas pro ar
o palhaço olhou o mundo.
Não quis desvirar.

Lena Ponte

A falsa sensação de progresso...


Foto> Templo Zu Lai, Fefe

A agenda neoliberal não pára na Baixada Santista, com seus velhos modelos desenvolvimentistas puramente econômicos, mercadológicos e especulativos, em nome do crescimento do Complexo Portuário da Baixada Santista. Ou como eles gostam de chamar, do Porto de Santos, o maior porto da América Latina. (sic)

E para que a estrutura portuária da região cresça é preciso mais infra-estrutura rodoviária. E os planos para ampliar os acessos terrestres ao Porto de Santos, tanto por Santos como por Guarujá, já estão sendo apresentados por políticos, empresários e autoridades do Porto de Santos. Há poucas semanas atrás o prefeito de Santos anunciou o projeto de construção do primeiro grande elevado da região, saindo da Anchieta (pé da Serra do Mar) até a Alemoa, cortado por uma série de viadutos. O Secretário de Assuntos Portuários e Marítimos de Santos, Sérgio Aquino, disse: “Esse projeto busca melhorar o trânsito principalmente nas marginais da Anchieta”.

Por outro lado, em recente visita a Santos, o vice-governador e Secretário Estadual de Desenvolvimento de São Paulo, Alberto Goldman, comentou que é necessário correr com as obras das avenidas perimetrais do Porto de Santos, ampliar a marginal direita da Anchieta e a Conêgo Domenico Rangoni (antiga Piaçaguera-Guarujá) e construir a terceira pista da rodovia dos Imigrantes.

Trocando em miúdos, vem aí mais carros e caminhões, em conseqüência, mais emissão para atmosfera de monóxido de carbono dentre outros compostos químicos que impactarão o meio ambiente e a saúde, principalmente das crianças e das populações da Baixada Santista. Mais contaminação do mar, rios. Mais destruição e degradação dos ecossistemas da região.

Sem perspectivas de que realmente apareça uma combativa oposição popular contra esse "fundamentalismo portuário", o negócio é reciclar vidro, mas não para abastecer o “capitalismo verde”, mas para a “guerra social”!

Ah, tens notado tanto coof, coof, coof, coof, ou tosse das pessoas nas ruas? Será por que o tempo anda "maluquinho"? Ou será que as concentrações de partículas de materiais suspensos no ar emitidos dos escapamentos dos veículos motorizados estão irritando nossas gargantas e narinas?

El Pececito Chuva de Fogo

domingo, 23 de setembro de 2007

O mundo continua uma palhaçada, ninguém quer saber mais de nada, vivemos jogando isso na cara, mais levantar a bunda que é bom: NADA!!!!!!!!!!!!!!!!!!





Fotos: Crau e Fe, Rio de Janeiro Set/2007









GRUPO DE PALHAÇOS ZOMBA DA FESTA DA ARACRUZ
Porto Alegre, 22 de setembro de 2007.

Com escárnio e diversão uma trupe de palhaços mostrou a ironia que significa a Aracruz fazer uma festa em comemoração ao Dia da Árvore. A manifestação marcava o dia 21 de setembro, Dia Internacional Contra as Monoculturas de Árvores e denunciou os danos provocados pelas grandes plantações de eucalipto e pelas fábricas de celulose. As faixas, pirulitos e mosquitinhos falavam das más conseqüências da expansão da empresa e seu projeto de produção de celulose em nosso estado. Em Guaíba, cidade vizinha a Porto Alegre, a corporação pretende quadruplicar seu tamanho.

As plantações também chamadas de desertos verde, por serem desertas de biodiversidade, se expandem pelo mundo causando êxodo rural, poluição e pobreza, motivo pelo qual em 2004 foi criado o Dia Internacional contra as Monoculturas de Árvores. A Aracruz tem longa história de danos ao ambiente e às populações nos estados do Espirito Santo, Bahia, e Minas Gerais, tendo sido condenada no ano de 2005 em julgamento pelo Tribunal Internacional dos Povos em Viena. Entre as acusações está a expulsão de populações indígenas e quilombolas e invasão de suas terras no Espírito Santo. No RS as comunidades indígenas e quilombola estão vendo suas terras sendo tomadas por eucaliptos.

No Rio Grande do Sul o deserto verde está sendo plantado principalmente no Pampa em proveito das empresas Aracruz, Stora Enso e Votorantim. Recentemente uma ação civil pública foi distribuída para Vara Ambiental da Justiça Federal de Porto Alegre/RS contra o Governo do Estado, Caixa RS, BNDES e Empresas para impedir a expansão desenfreada da monocultura de árvores e garantir a aplicação da legislação ambiental. Depois das plantações vem a construção das fábricas que tem sua produção de celulose voltada a exportação. Fábricas com porte de 1,8 milhões toneladas por ano, como pretende a Aracruz não são permitidas na Europa, que tem maiores restrições ambientais.

A organização do evento da Aracruz chamou a polícia para impedir os ativistas de manifestar opinião contrária à corporação. O evento era realizado na praça pública Comendador de Souza, no bairro Tristeza. Embora seja permitido a livre manifestação em espaços públicos, os manifestantes não puderam entrar no evento ficando restritos a sua periferia e na chuva. A manifestação mostra que não está tudo bem e não faz coro à música de Kleiton e Kledir e "deixa para lá" a invasão verde no RS. Os referidos artistas foram questionados por fazer show para a Aracruz, já que esta causa inúmeros danos sociais e ambientais.

Como alternativa aos danos ambientais, danos à saúde e forma de vida que as empresas de celulose pretendem instalar em nosso estado, os ativistas apontam outra forma de desenvolvimento que tenha como base a agroecologia e a biodiversidade. Ao invés dos grandes latifúndios de eucalipto a agricultura familiar e a agroindústria familiar com base na agroecologia que gera mais empregos, saúde e conserva o ambiente.