terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Manifesto Casinha



" Acreditamos que a liberdade humana deve ser desenvolvida e exercitada, porém, não com uma falsa liberdade pseudo-democrática e impalpável, e sim uma liberdade que a cada dia se transforme e amplie, visando sempre a emancipação das pessoas diante da intolerância generalizada que ronda a vida cotidiana.

Assim surge o CENTRO CULTURAL CASINH(A). Uma iniciativa de pessoas com a crença de que uma transformação social, cultural, e, acima de tudo, revolucionária, é possível.

Não temos como objetivo impor regras de ação dentro de uma perspectiva revolucionária já determinada, mas sim pelo contrário, buscar em cada pessoa uma alternativa e conhecimento que possam ser agregados para tornar nosso dia-a-dia mais produtivo, prazeroso e combativo contra qualquer forma de opressão.
Como se trata de um centro de cultura libertário, o espaço é de tod@s, portanto, aberto a qualquer indivíduo que mostre interesse em participar, organizar, promover, aprender e ensinar.

Um mundo melhor é possível, e VOCÊ é peça fundamental nessa batalha. Cabe a VOCÊ a escolha de suas ações, em prol de algum determinado objetivo. Esse é o nosso, um mundo mais justo, igualitário e aberto sempre a novas possibilidades. Um mundo onde encaixa vários mundos, onde as únicas regras sejam o respeito às individualidades e o apoio mútuo.

Um beijo a tod@s e venham somar com a gente!"


Casinh(A) – Rua José de Britto de Freitas, 309 – Casa Verde – São Paulo – SP
casinhacultural@gmail.com

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Um Urubu quase santo



Foto: Lagoa de Maricá - RJ 2008.
Antonio Francisco

"Todo fim de ano eu passo
De frente a mesma favela
Na esperança de ver
O Natal brilhando nela,
Mas só vejo a mão do mundo
Batendo no povo dela.

Um povo que vive bem
Distante do cidadão,
Entre urubus e porcos
Numa terrível missão:
Tirar o pão que mastiga
Da gordura do lixão.
[...]

E todo ano que eu passo
Naquela comunidade,
Eu deixo quase sem força
Minha força de vontade
E a minha fé perdida
Entre os pés da humanidade.


Mas, neste ano passado,
Quando eu entrei na favela,
Eu vi o brilho da luz
Do Natal brilhando nela
E a esperança brincando
Nos olhos do povo dela.

Todo arremedo de casa
Tinha uma mesa na frente
Coberta de carne assada,
[...]

Todo menino sambudo
Tinha um brinquedo na mão,
Computador, bicicleta,
Carroça, carro, avião,
[...]

E quanto mais eu entrava,
Mais eu ficava intrigado:
Comida por todo canto,
brinquedo pra todo lado,
E todo mundo gritando:
Papai Noel, obrigado!
[...]

- Rapaz, desculpe a pergunta,
Mas o que está havendo?
Quem está patrocinando
A festa que estou vendo?
E que carne estranha é essa
Que vocês estão comendo?

Respondeu: Papai Noel
Ontem caiu no lixão!
E só não morreu da queda
Porque caiu num montão
De papel e saco plástico,
Pano velho e papelão.
[...]

A rena mestra morreu
Na hora da barruada.
As outras foram abatidas
Às duas da madrugada
E desde que o sol saiu
Que mastigam carne assada!

O trenó, eles mataram
No fundo de um quintal,
E venderam o aluninio
Ao filho de Antoin Vital,
E com a grana compraram
A bebida do Natal.


Papai Noel, sem dinheiro,
Liso, batendo biela,
Ficou aqui com a gente
Passeando na favela
E dividindo os brinquedos
Com a gurizada dela.
[...]

E sai falando só,
Coçando o canto da nuca:
- Papai Noel de verdade?
Que história mais maluca...
Ou ele quis me gozar
Ou está lelé da cuca!

Mas quando eu ergui a vista,
Avistei numa viela
Um velhinho de vermelho
Numa casa da favela
Distribuindo brinquedos
Com os moradores dela.

Pensei logo: - É um político
Visitando o povo seu.
Mas depois da eleição
Isso nunca aconteceu!
Deve ser um evangélico
Praticando o que aprendeu.
[...]

Mas quando cheguei, perdi
Da cor do rosto a metade,
Pois o velhinho que estava
Ali na comunidade,
Não era outro senão
Papai Noel de verdade!
Eu gritei Papai Noel,
O senhor enlouqueceu...
Você nunca andou aqui,
Só agora apareceu
Bancando uma festa dessa.
O que foi que aconteceu?
[...]

Papai Noel disse: - Amigo,
Quando eu cai no lixão
Perdi meu talão de cheque,
Meu celular, meu cartão.
E onde eu moro, poeta,
só vai se for de avião!


Respondi: - Papai Noel,
Eu não posso fazer nada.
Poeta, aqui na cidade,
Vive de mão estirada,
Mas vou lhe dar um conselho,
Só não sei se lhe agrada:

Você vá pedir ajuda
Naqueles muros de medos,
Munidos de cerca elétrica,
Com pilastras de lajedos,
Onde você, todo ano,
Vai despejar seus brinquedos!


Ele baixou a cabeça
E disse, fitando o chão:
- É mais fácil eu conseguir
Apanhando papelão
Do que entrar sem brinquedos
Na casa de um barão.

E levantou-se dizendo:
- Poeta, muito obrigado!
É bom estar com você.
Mas, já estou atrasado,
O lixão agora tem
Mais um desempregado.


E perdeu-se nas estranhas
Montanhas de papelão.
Eu quis chorar, mas pensei:
- Não é nada de mais, não.
E quantos papais noéis
Não vivem deste lixão?!
[...]

Rio: mulher é presa suspeita de racismo em cinema.



Foto: Ponte Rio - Niterói. by Crau 01/2008.

A produtora Ana Cristina de Paiva, 40 anos, foi presa na noite de ontem, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro, por suspeita de racismo. Uma atendente do cinema do Shopping Downtown alega ter sido chamada de "negrinha" pela produtora. Ana Cristina vai responder pelo crime de injúria por preconceito racial, cuja pena pode chegar a 3 anos de prisão.


De acordo com a vítima, que preferiu não se identificar, e com testemunhas, a confusão começou quando Ana Cristina entregou o cartão de crédito para pagar por pipocas que havia comprado.
"O pagamento não foi autorizado. Eu informei e ela disse que eu é que não estava sabendo usar o equipamento. Eu disse, então, para que ela mesma tentasse, já que pensava que eu não sabia trabalhar. Ela ficou furiosa, quis passar para o lado de dentro do balcão para me bater e disse que eu era uma negrinha e que devia estar morando na Rocinha", contou a jovem.
De acordo com testemunhas, a produtora gritava e a balconista chorava. "Foi um absurdo o que aconteceu. A mulher ainda perguntou: 'quer que eu a descreva como? Ela é negrinha da Rocinha mesmo, não é nenhuma princesinha da Barra.' Espero que ela seja punida, porque a impunidade deixa a gente ainda mais indignado", contou o professor de inglês Davi Ferreira de Pinho, uma das quatro testemunhas que foram à 16ª Delegacia de Polícia (Barra) acompanhar a vítima.
"Eu vim aqui cumprir meu papel de cidadã. Nós iríamos assistir ao filme O caçador de pipas, que fala sobre preconceito, e de repente acontece uma coisa dessas. Só de saber que essa mulher vai ficar presa, fico mais aliviada. Ela é uma criminosa. Não faz idéia do dano psicológico que pode causar a uma pessoa", disse outra testemunha, lembrando que a delegacia recebeu telefonemas para denunciar o caso.
Para a vítima, a sensação foi de constrangimento. "Não pensei que isso fosse acontecer comigo. Ela ameaçou me bater e disse que negrinha tem que morrer de trabalhar", disse.
O marido de Ana Cristina, que não teve o nome revelado, defendeu a mulher: "chamar uma negrinha de negrinha e um crioulo de crioulo é crime? Como é que eu diferencio? Acho que isso é síndrome de novela", comentou. Já a advogada de Ana Cristina não quis comentar o caso.

http://noticias.terra.com.br/brasil/interna/0,,OI2267835-EI5030,00.html

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008



Noite sem lua ou estrelas
o bebedor de sakê
bebe sozinho.

Matsuo Bashô


BLOG FECHADO SEM TEMPO DETERMINADO.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Uma mulher estuprada: culpada pelo estupro


Foto> Bateria da Grande Rio na festa das baterias 2007. By Fefe

Esta semana uma mulher muçulmana foi condenada pela corte de seu país (infelizmente não me lembro qual país) a 90 chibatadas por estar na companhia de um homem, que não era de sua familia e por ter sido estuprada por um grupo formado por aproximadamente seis homens.
O advogado da vitima apelou a corte e pediu absolvição da mulher. O juiz então, para reforçar ainda mais a sua ira, determinou que a mulher deveria em vez de 90 levar 200 chibatadas!
Mas a pressão de grupos internacionais fez com que esta muçulmana fosse absolvida de "seu crime" e ela foi liberada de sofrer as chibatadas e assim, conforme a lei do Islã, pagar por estar acompanhada de um unão parente e ainda ter sido estuprada por um grupo de homens.
No Brasil, não vivemos sob a religião muçulmana, mas uma mulher quando é estuprada ainda é considerada culpada pela violencia que sofreu. E os argumentos são os mais estaparfúdios possiveis e tod@s nós conhecemos.
Mesmo com toda a ação do movimento feminista frente a este tema da violência contra a mulher ter sensibilizado boa parte da sociedade, a cultura patriarcal ainda é muito forte e bastante presente.
Quando se trata de uma mulher de nossa familia, sempre queremos matar o estuprador ou fazer "justiça" de qualquer jeito. Mas quando se trata de uma prostituta, de mulheres que não são de nossa familia e ainda, quando o fato é causado por um amigo nosso, a principal reação é "analisar bem os fatos" e ver que a mulher pode ter provocado.
Espero que não chegue por aqui a punição do Islã, aqui no Brasil tudo é no subjetivo. Violência contra a mulher é inconcebivel, inadmissivel e inaceitavel!!!
Parta de quem for!

Mabel Dias
Grupo Wendo de João Pessoa

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

NOTA A SOCIEDADE CEARENSE


Foto: Prantinhas da Crau...by Crau


Fortaleza, 10 de dezembro de 2007.

Nós, camponeses organizados nos movimentos sociais do campo, viemos a público expressar nosso protesto e indignação contra as multinacionais que controlam a agricultura no Brasil.
Somos mais de 250 pessoas que desde as 6h da manhã de hoje estamos na localidade de Flecheira, município de Aracati, onde fazemos uma manifestação pacífica contra a empresa multinacional SYNGENTA, com sede na Suíça. Esta empresa está no Brasil, no Ceará e em ARACATI há mais de cinco anos desenvolvendo pesquisas, experimentos e produzindo sementes selecionadas para o mercado, só que segundo informações da região essa empresa (Syngenta) está realizando testes com sementes geneticamente modificadas, TRANSGÊNICOS, as conhecidas sementes da morte, que o governo Brasileiro não autorizou.
O nosso protesto é também pela chacina que a SYNGENTA realizou em Santa Tereza do Oeste – Paraná, no dia 21 de outubro, com 40 pistoleiros, a mando da empresa, assassinou um militante da Via Campesina e feriu a tiros 5 pessoas. A ação da Syngenta fere o direito a vida, liberdade e segurança pessoal assegurada na Declaração Universal dos Direitos Humanos que hoje completa 50 anos. O protesto é ainda em solidariedade ao frei Dom Luís Cappio, que hoje chega a 13 dias de jejum e oração na luta pela não transposição do Rio São Francisco. Reafirmamos também nossa luta contra a transposição do São Francisco e na defesa dos direitos humanos.

Via Campesina - Alimento e Energia não são Mercadorias!
Maiores informações: Flávio Barbosa - 85 99479131
João Paulo – 88 99298621 / 99217988

PM é condenado a 542 anos por Chacina da Baixada Fluminense


Foto: Minhas Rendas Portuguesas...by Crau


O cabo José Augusto Moreira, do Batalhão da PM (Polícia Militar) de Queimados, foi condenado a 542 anos de prisão por sua participação na Chacina da Baixada Fluminense, a mais sangrenta da história do Rio, que terminou com 29 mortos e um ferido em abril de 2005.

Por volta das 18h desta quarta-feira (12/12), a juíza Elisabeth Machado Louro, da 4ª Vara Criminal do Tribunal do Júri de Nova Iguaçu, leu a sentença.

Moreira foi condenado a 18 anos por cada um dos 29 homicídios cometidos, mais 12 por uma tentativa de assassinato e outros 8 anos por formação de quadrilha. Além disso, a sentença determinou que ele seja expulso da corporação.

O defensor público Rômulo Souza de Araújo recorreu da sentença em plenário. Ele alegou que não haveria nenhum indício no processo de participação do réu na chacina e de que ele estivesse nos locais dos crimes.

Os promotores Fábio Mendes Muniz e Frederico Bonfatti, que atuaram no julgamento, afirmaram que os crimes não foram atos isolados dos réus, mas "o ápice na carreira de policiais que não conheciam limites e não respeitavam a lei".

A juíza Elizabeth Machado Louro classificou o crime como uma barbárie. "Os agentes percorreram vários logradouros e executaram aleatoriamente pessoas inocentes", afirmou.

Segundo ela, o crime é repugnante, principalmente pelo fato de o acusado ocupar o cargo de policial militar. "Deveria estar comprometido com a defesa da ordem e da vida humana", completou.

O júri começou às 12h de segunda-feira e terminou por volta das 18h desta quarta. Foram mais de 50 horas até que os sete jurados (4 mulheres e três homens) dessem o veredicto.

O cabo é o segundo policial a ser julgado dentre os cinco acusados de terem cometido os 29 assassinatos. O primeiro a ir a julgamento foi o soldado Carlos Jorge de Carvalho, condenado a 543 anos de prisão, em 2006.

Também respondem pelos mesmos crimes o cabo Marcos Siqueira Costa e o soldado Júlio César Amaral de Paula. Eles, porém, ainda não têm data definida para irem a júri, pois entraram com recursos que ainda não foram julgados.

Durante os depoimentos, uma das testemunhas de acusação disse que viu o cabo José e os outros quatro acusados em um bar no centro de Nova Iguaçu e que todos saíram juntos do local por volta das 20h30, momentos antes do início dos assassinatos.

O caso
O crime aconteceu em 31 de março de 2005. Os criminosos levaram terror a uma extensão de 15 quilômetros entre as cidades de Nova Iguaçu e Queimados. As vítimas não tinham antecedentes criminais e foram baleadas enquanto conversavam na porta de casa ou andavam pelas ruas. Entre elas havia crianças, estudantes, comerciantes, desempregados, funcionários públicos, marceneiros, pintores e garçons.

Em maio de 2005, o Ministério Público chegou a denunciar 11 policiais militares pelos crimes e o grupo acabou preso. Em fevereiro de 2006, a juíza Elizabeth Machado Louro admitiu parcialmente a denúncia e pronunciou cinco deles para irem a júri popular. Outros dois policiais foram pronunciados apenas por formação de quadrilha: o cabo Gilmar Simão, assassinado em outubro de 2006; e o cabo Ivonei de Souza, que entrou com recurso contra a decisão.

Os demais foram postos em liberdade, a pedido do Ministério Público, pois não foram encontrados indícios suficientes para incriminá-los.

Leia mais:
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Fazendeiro é condenado a 152 anos por chacina no Pará

Quarta-feira, 12 de dezembro de 2007




http://ultimainstancia.uol.com.br/noticia/45497.shtml